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Entrevista : Gabriel Simas

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Ele tem apenas 21 anos e já trabalhou com bandas como Simple Plan,The Used, Iron Maiden, New Found Glory, Panic At The Disco, Evanescence, The Calling entre outros. Viajou para 19 países, viu fãs se pendurando em cabo de luz só para ver seus ídolos... Pois é... Parece loucura, mas é real. Ele fala de McFLY, Fake Number, Restart e muito mais.











Dicas de Garota - Como é exatamente a sua profissão?
Gabriel Simas - Bom, minha profissão é meio difícil de explicar. Eu sou oficialmente um produtor cultural e apesar de ter por muitos anos ter trabalhado só com shows internacionais eu também trabalho com eventos em geral, como semanas de moda, empresariais e outros.
Como você ingressou nesta carreira? Você acabou tendo a oportunidade de fazer isso e gostou ou já tinha uma idéia de que era o que você queria seguir?
Eu cursava produção cultural na UFF, em Niterói (RJ) e acabei calhando de conhecer a pessoa certa, na hora certa: a @nagaissa. Ela me deu um estágio na produtora que ela trabalhava e depois desse estágio acabei conseguindo a vaga e nunca mais sai do mercado. Era pra ser, tava no destino. 

Quais foram seus passos até chegar onde está hoje? Dificuldades como aprender outras línguas, preconceitos com a sua idade, porque afinal, pra muitos você pode ser considerado muito novo para trabalhar com grandes eventos, como shows internacionais.
A idade normalmente foi motivo de coisas positivas, como quando a MTV disse que eu era um menino prodígio. Foi difícil aprender tudo que envolve a legislação e produção dos shows internacionais, mas com o tempo foi tudo se colocando no devido lugar. Todo dia é um novo aprendizado. Amo ter novos desafios no trabalho e me deparar com coisas que não faço a mínima idéia de como funciona, para dai aprender mais e mais. Eu não falava nenhuma língua e nunca aprendi com curso. Aprendi inglês praticando no primeiro escritório que trabalhei, porque meu patrão era de Los Angeles e o português dele era quase nulo. Tive que aprender na marra, errando muito, mas foi a melhor forma. E o espanhol eu aprendi quando morei por um semestre em Buenos Aires, trabalhando pela empresa.

Quais foram seus passos até chegar onde está hoje?
Sempre fui muito pré-maturo. Sempre quis correr mais rápido que o tempo. Aos 16 já morava sozinho, sempre lutei pelos meus sonhos, por mais surreais que eles fossem. Estudar foi muito importante e é até hoje.

Quais as primeiras dificuldades encontradas?
Como comecei muito novo e sem base nenhuma errei muito, mas MUITO. Em algumas ocasiões falei demais, outras fiz de menos. Não tinha muita noção de mercado, então aprendi errando mesmo. Algumas atitudes 

Em um tweet, você disse que o McFLY faria show aqui em Agosto, mas que não era pra “surtar”, pois é um boato forte, porém não confirmado. Nesse caso, teve gente dizendo “Aaah, não é o Gabriel que traz as bandas para o Brasil , então não acreditem nele!”. Como você lida quando as pessoas duvidam de você e te julgam por causa disso? Isso te incomoda?
Bom, por muito tempo misturei minha vida de produção com a vida online. Hoje em dia eu não posto mais como "as bandas que eu estou trabalhando". Hoje posto sobre tudo. Sobre a calcinha da Paris Hilton, o fato do Justin Bieber subornar alguém do Twitter pra não sair do Trending Topics ou o show de outra produtora que está vindo a America do Sul. Tenho seguidores do Chile, Argentina e Japão também, então gosto de falar de tudo um pouco. O caso do McFLY em especial, não é meu, se fosse eu saberia com certeza sobre as datas. Eu duvido muito de uma tour em agosto, mas tem vários produtores nacionais negociando datas com uma produtora de São Paulo. Eu de fato, não trago todas as bandas que trabalho pro Brasil. Já trouxe The Used, New Found Glory, Panic At The Disco, Face to Face e várias outras. E algumas só fiz a produção das tours pra outras empresas. Mas no final do dia, não me incomodo com os comentários. Como disse uma vez: "ódio gratuito é inveja". E inveja não mata, então fortalece. Batalhei muito pra chegar onde estou hoje, foi com meu próprio esforço e vontade. Não tenho porque dar ouvidos a quem ta em casa gastando um tempo que poderia estar correndo atrás dos seus sonhos em me xingar na internet. Enquanto uns odeiam, eu to vivendo. E to feliz!!

No momento, você está cursando faculdade. Qual é, e porque escolheu tal curso?
Estou cursando Marketing agora. Depois de 4 anos trabalhando com produção cultural penso que o curso não me seria muito útil e como queria continuar na faculdade escolhi algo que gosto, que mexe com criação, vendas e com fazer diferente, sair na frente. 

Como você lida com dezenas (centenas, milhares) de pedidos todos os dias por uma certa banda?
Eu acho engraçado. Ás vezes, abro meu e-mail e tem mais de mil emails pedindo a mesma coisa. Eu ainda não sei lidar com a idéia de que um fã clube se organiza num dia, horário e com centenas de pessoas pra fazer uma manifestação em prol de alguma banda pra mim. Ainda é tudo meio surreal as vezes. Mas eu gosto, é importante saber o que a galera ta curtindo. E sempre que possível trazer pra cá. Mesmo que as vezes a gente tente muito, como no caso do Tokio Hotel, e as bandas tenham outras prioridades. Mas é importante tentar! 

Depois de ser associado a artistas de grande porte (ou aqueles que fazem maior sucesso entre seus seguidores), o número de 'puxa-sacos' aumentou? E como você lida com essas/aquelas fãs histéricas que gritam, gritam e te imploram por um passe livre/ingresso,já teve algo que você quis dizer a elas mas guardou pra você.
Olha, eu sempre fui meio fechado, apesar de ser comunicativo. Meus amigos hoje são basicamente os mesmos que eu tinha a 5 anos atrás. Sair na Capricho, MTV, jornais pelo Brasil não mudou nada. É legal ter uma abordagem de gente nova a cada dia, mas eu ainda sou a mesma pessoa e não sou burro. Como disse, é estranho essa coisa de ter pessoas falando comigo e as vezes até em outros países, como no Chile que eu tava saindo do hotel e gritaram meu nome e umas 10 meninas vieram tirar foto e falar que me seguiam no twitter, isso é bem bacana. Até hoje acho que nunca aconteceu nenhum caso que me incomodou. Quando posso ajudar as pessoas, faço, mas infelizmente não dá pra ajudar todo mundo.

Você tem 21 anos e já viajou pra 21 países. Mesmo assim, você ainda tem vontade de conhecer algum lugar? Qual?
Viajei pra 19 países só. Queria muito ter 22 anos (faço em julho) e ter visitado 22 países, mas não vai rolar! (risos). Eu quero conhecer o mundo. Nunca fui pra Ásia e pra Oceania, quero muito!!! E falta muito lugar na África pra eu conhecer ainda também. Amo viajar, vivo por isso!

Qual é a impressão que as bandas tem do Brasil e dos fãs brasileiros, antes e depois de tocarem aqui?
99% dos casos, todo mundo acha que o Brasil é um lugar com macacos na rua e mulheres peladas sambando em cada esquina. Eles vão embora com essa mesma ideia, adicionado a idéia da meat factory - aka churrascaria, e que temos o melhor publico do mundo pra shows, que cantam cada palavra de cada musica mesmo não falando o mesmo idioma. Somos o maior mercado de muitos artistas atualmente como Anahi, McFLY, The Calling e vários outros.

As bandas que vem de fora, comentam sobre a diferença de equipamentos e estrutura, em relação ao Brasil?
O Brasil hoje em dia, pelo menos no sudeste, é muito competitivo com o mercado internacional. Temos a maioria de equipamentos técnicos como backline, som e luz que tem lá fora. Infelizmente não existem muitos produtores bons no Brasil, são poucos os que fazem direito. Hoje em dia qualquer pessoa acha que pode produzir um show internacional e temos muitos casos de má organização por ai. Eu mesmo já me vi dentro de umas enrascadas por falta de profissionalismo de terceiros. 

Se não trabalhasse com musica, qual seria a outra coisa que faria?
Não sei, acho que com musica. (risos). Eu fiz algumas peças teatrais antes de trabalhar com produção, até ganhamos uns prêmios e fizemos uma tour pelo Rio de Janeiro, mas não era a mesma coisa. Talvez alguma coisa ligada a viagens eu toparia fazer, como tenho a idéia de abrir um negócio próprio em breve fazendo excursões pra festivais como a Warped Tour e o Bamboozle.

Você teve a oportunidade de viajar com o Iron Maiden no mesmo avião, como foi essa experiência?
Eu não viajei com eles na tour, mas fiz a liberação e boarding no aeroporto. O avião é impressionante, é uma coisa meio Backstreet Boys do metal. Nesse dia particularmente, o Bruce não pilotou! 

Algum fato engraçado aconteceu com as bandas que você trabalhou?
Na passagem de som do The Used no Chile encontramos uma fã pendurada nos cabos de iluminação do palco pra tentar ver a passagem de som, ela podia ter morrido!! 

Você já viu alguma fã cometendo alguma "loucura" pelos músicos das bandas internacionais? Se sim, conte alguma história (não importa o nível dela rs).
Bom, já vi muita menor de idade perder a virgindade por ai. Mas no Evanescence que eu me surpreendi mais. Tinha gente pendurada em grade, correndo por mais de 2km atrás do nosso carro, aparecendo em corredores secretos do hotel, onde a gente ia, tinha fã. Eles são muito empenhados. 

E você já se deparou com uma situação onde uma fã "se oferecesse" para você só para entrar no camarim e conhecer a banda? Se sim, conte-nos um pouco.
Várias vezes. Muita gente já inclusive conseguiu entrar no camarim assim e passar a noite no hotel. (risos). Mas não estou incentivando a prática não, viu?! (risos)

E sobre as bandas brasileiras, quais você acha que vão se dar bem em 2010?
Eu acredito muito no Fake Number, no Restart, no Retrora (uma banda de Curitiba) e no Quarter. 

Tem algumas dicas para convencer os pais super protetores a deixarem os filhos  a irem á algum show?
Eu não deixaria os meus filhos irem!! (risos). Mas eu quando tinha 14 anos fugi de casa e fui ver 3 shows do The Calling, no Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Hoje em dia segurança é um item forte nas casas de show, então é muito mais tranquilo, mas pais são pais. Convence eles a irem com vocês, é melhor pra bilheteria!!! (risos)

Pra finalizar, qual conselho daria pra quem deseja seguir a mesma carreira que a sua?
Olha, foca em um objetivo e segue firme nele. Eu vim de uma família sem nenhum nome e sem nenhum conhecimento na área. Não estou nem perto do topo, mas já estou em algum lugar, dá pra viver. Quando você quer muito uma coisa e acredita ser capaz de executar ela, o universo te ajuda! E estudem, sempre. Nunca é demais. Aprenda o máximo possível de tudo o que puder. E saia de casa, sorria, se faça notável. O universo não vai bater na sua porta também. 
Quer conhecer um pouco mais sobre o Gabriel? Acessem o site www.gabrielsimas.com e/ou sigam ele no twitter @gabesimas

Postado por: @fernandarigon no antigo blog do dicasdegarota.

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