Clarice Lispector – Água Viva


Acredito que todo mundo já tenha ouvido falar sobre  C. Lispector, e até já devem ter lido alguma obra dela, ou pelo menos trechos de livros. Eu li esses dias o livro Água Viva e recomendo. O livro foi publicado em 1973, pouco tempo antes da morte da autora.


A obra pertence à terceira geração modernista e foi definido como "um denso e fluente poema em prosa". Nele é aclamada, amaldiçoada, reprimida e expandida a vida.”
"A obra pertence à terceira geração modernista e foi definido como "um senso e fluente poema em prosa". Nele é aclamada, amaldiçoada, reprimida e expandida a vida. (...) Não existe enredo em Água Viva, prevalecendo a repetição dos mesmos temas e o desfile de imagens multi facetadas, similares ao jogo de variações existente na música. A circularidade está presente desde a primeira até a última frase do livro: não há começo, meio ou fim. Trata-se de um texto para ser muito mais vivido do que lido, no qual a sensibilidade aflora constantemente, em um fluir de experiências vivenciadas de forma intensa. Clarice rompe com o sistema, virando-o pelo avesso, revelando o indizível, o "proibido". Como já citado, a autora promove a desconstrução e a desautomatização da linguagem, ao decompor e desmontar o próprio sistema de escrita, para tentar se libertar da náusea de viver, através da palavra expressa em neologismos, de construções inovadoras, da busca pelo sentido perfeito e por um equilíbrio entre forma e conteúdo, promovendo a exaltação do ser interior, do sujeito super fragmentado e da passagem da crise psicológica à angústia metafísica.”

Enfim, leiam! O livro é facilmente encontrado em qualquer biblioteca, mas vocês também podem fazer o download do livro aqui aqui! .
Abaixo, segue alguns trechos que eu me identifiquei e achei interessante.

“Mas por que esse mal-estar? É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é. Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há. Mas alguma coisa está errada e dá mal-estar.”
“Só sei que não quero impostura. Recuso-me. Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado.”
“Vivo de um segredo que se irradia em raios luminosos que me ofuscariam se eu não os cobrisse com um manto pesado de falsas certezas.”
“Não humanizo bicho porque é ofensa – há que respeitar-lhe a natureza – eu é que me animalizo.”
“Confio na minha incompreensão que tem me dado vida liberta de entendimento, perdi amigos, não entendo a morte. O horrível dever é o de ir até o fim. E sem contar com ninguém. Viver-se a si mesma.”
“Antes de dormir tomo conta do mundo e vejo se o céu da noite está estrelado e azul-marinho porque em certas noites em vez de negro o céu parece azul-marinho intenso, cor que já pintei em vitral. Gosto de intensidade.”
“A vida oblíqua? Bem sei que há um desencontro leve entre as coisas, elas quase se chocam, há desencontro entre os seres que se perdem uns aos outros entre palavras que quase não dizem mais nada. Mas quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois o encontro brusco face a face com ela nos assustaria, espaventaria os seus delicados fios de teia de aranha.”
“Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que as vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos pra viver.”
“Sinta-se bem. Eu na minha solidão quase vou explodir. Morrer deve ser uma muda explosão interna. O corpo não aguenta mais ser corpo. E se morrer tiver o gosto da comida quando se está com muita fome? E se morrer for um prazer, egoísta prazer?”
“A loucura é vizinha da mais cruel sensatez.”
“Ah viver é tão desconfortável. Tudo aperta: o corpo exige, o espírito não para, viver parece ter sono e não poder dormir – viver é incomodo. Não se pode andar nu nem de corpo nem de espírito.”

Se lerem o livro, me contem o que acharam, ok?
Beijos!
@daymydarling

6 comentários

  1. Adorei seu blog!
    Segue?sigo de volta.
    http://sweetdreamssah.blogspot.com/

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  2. Todas as obras da Clarice são perfeitas:)
    Adorei o blog*-*

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  3. ja li um pouquinho e adoreii!! muito bom esse liivro!
    beijão ;*

    www.wcfeminino.com.br

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  4. Adoorei o blog.
    Já estou seguindo.. é a JulinhaMonteiro do fashiolista lembra?
    Beeijos

    http://monroewonderland.blogspot.com/

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  5. Ja ouvi falar e estou muito curiosa para ler.

    **

    http://find-me-on-the-catwalk.blogspot.com/

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  6. Alice Monroe(JulinhaMonteiro) Claro que lembro, rs. Adorei seu blog, beijos :*

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