E, mesmo assim, cabe inteirinho no breve espaço do beijar. É mais ou menos o que diz a poesia de Carlos Drummond de Andrade. Quem já deu um beijo apaixonado na vida sabe que ele está coberto de razão. Pois não é que, no momento daquele beijo esperado, ensaiado, tantas vezes sonhado, a gente meio que transcende, viaja sem espaço e sem tempo, se esquece e esquece do mundo? Quando volta, é como se a alegria fosse definitivamente tomar conta da nossa vida. Puxa, enfim conseguimos!
Essa mágica toda dificilmente acontece no primeiro beijo, quando estamos ainda tão preocupadas em impressionar o outro que nos esquecemos de curtir, de aproveitar aquele carinho que estamos dando e recebendo, tudo ao mesmo tempo. Na primeira vez, a gente fica mais preocupada com a técnica e, na tentativa de mostrar que sabe, só conseguimos dar bandeira de que não sabemos mesmo o que fazer – com a nossa língua e com a dele. Por isso, em geral, o primeiro beijo é um fiasco. O meu foi. Mas depois dele vieram outros, mais desencanados, mais apaixonados, muito mais felizes. É isso o que sempre digo quando garotas me contam que morrem de medo de beijar. Eu falo simplesmente: “Beija que passa”. E é verdade. Como tudo na vida, é beijando que aprendemos a beijar. Não estou querendo dizer que, por isso, você deva sair por aí treinando com Deus e todo mundo. Se você quiser, fique à vontade. Mas, se não quiser, dê tempo ao tempo, e vá adquirindo essa experiência aos poucos porque, que eu saiba o mundo não vai acabar amanhã. E tem outra: os beijos dados com afeto e ternura são, de longe, os que mais marcam a vida da gente. E fazem todo o sofrimento valer à pena. Sim, porque quem já esperou dias, meses e até anos para ficar com um garoto sabe que por um beijinho a gente às vezes passa os maiores perrengues. Mas, quando consegue, sempre termina com aquela sensação de que valeu a pena.

É claro que, de vez em quando, a gente dá uns beijos meio frustrantes, nem todos são como aquele que eu comentei no começo dessa seção. Não porque o outro beije mal, não porque a gente não tenha acertado. O que acontece é que, às vezes, dois beijos não combinam. Uma questão de sintonia. Se o casal estiver mesmo muito a fim, até dá para acertar esse descompasso. Mas, normalmente, quando o beijo não rola, tudo o mais vai por água abaixo mesmo. E aí beijamos de novo, até... sempre! Pelo resto da vida, continuamos nos aperfeiçoando nessa arte e em todas as outras que envolvem o encontro com o outro. Por isso, eu desconfio do refrão que diz: “Já sei namorar, já sei beijar de língua”. Eu prefiro acreditar que essas coisas do amor serão sempre um desafio e todas as receitas prontas do mundo podem não funcionar numa situação especial. Cada beijo é um beijo, cada namoro é um namoro. Mesmo que a gente fique anos ao lado da mesma pessoa, beijando sempre o mesmo beijo. Em cada ocasião, dependendo do momento que os dois estão vivendo, essa maneira de trocar carinhos será diferente. Ainda bem, né?

Se você nunca beijou, faça isso quando tiver vontade, sem dar bola pro medo. Na pior das hipóteses, o beijo vai ser meio micado mesmo. Mas e daí? Depois dele virão outros e é importante dar o tal primeiro passo. Os próximos serão bem melhores e você vai acabar curtindo muito.
Pra quem já beijou, eu só posso desejar que se tornem especialistas na matéria. Para isso, nem é preciso beijar muito. Mas, talvez, curtir mais cada beijo, entendendo que esse carinho significa sempre a oportunidade de dar e receber afeto. E talvez esse seja um bom remédio para a nossa loucura, não é mesmo?

Mais um texto lindo da Rita Trevisan, falando da momento maravilhoso que é o beijo, e explica direitinho também o que nos sentimos quando passamos pelo "pesadelo" que é o primeiro beijo! Recebemos muitas perguntas no Formspring sobre isso e resolvi postar, o que acharam?
UP: Conta pra gente aí nos comentários como foi seu primeiro beijo, haha.

Beijos, Joy